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Vulcões

O céu desce como um raio zigue-zagueando em cada sephira da criação... e atinge o chão. O mundo se parte em derivas continentais pra luz tocar profundezas abismais porque continua em zigue-zague descendo pelos núcleos magmáticos e ígneos antes de explodir verticalmente pela Kundalini de vulcões. Pra baixo nos escondemos e pra cima incineramos.

Retrato

O mundo é opaco. não existe, de fato, transparência; seus olhos é que estão quebrados. Os pensamentos são pesados, e embora seus átomos  não deformem o espaço, eles constroem o tempo. Os sólidos matemáticos são abstratos e as retas perfeitas são fictícias como são também os retratos. Qualquer realidade é só uma fotografia 

Ikai - Parte 2

Meus dedos de metal tocaram a superfície do líquido quente, quase preto, que se acumulava perto do pescoço de Yudhistira. Ele não respirava e seu cérebro estava espalhado no chão como uma pintura pós-virtual: Tinha todas as características do estilo de artes plásticas daquele período. O estilo vanguardista era uma negação à tendência anterior, cujas obras de arte eram imateriais. O Virtualismo era um estilo de arte robótica, nascido com a singularidade da inteligência artificial. O pós-virtualismo surgiu logo depois, contrariando todas as regras daquela arte que os humanos consideraram “menor”. O sangue, miolos e pedaços de ossos espalhados sobre o carpete, com parte do sofá arruinado pelo fogo (agora meio coberto com a espuma do extintor de incêndio) era, sem dúvidas, uma escultura pós-virtual. No ponto de fuga da imagem, a massa cinzenta de Yudhistira, com um alto relevo sangrento e perfumado por ferro e chumbo. Mas eu ainda podia senti-lo. Não era apenas meu apuro estético, ...

Ikai - Parte 1

Passo após passo: um ritmo. Uma caminhada despejando som como a fúria aquosa de Indra, como trovões em peregrinação. Eu abro os olhos. Estou sobre um elefante vendo as ruas de Ratnapura; elas já estão úmidas, embora a chuva ainda esteja pendurada no céu. O elefante sacode em seu próprio compasso, mas tem os passos guiados. Não por mim, mas por um poderoso chip neural implantado entre seus olhos.   Uma espécie de carenagem protege o chip na cabeça do animal e o aprisiona em sua casta: Ele é um robota, embora não seja um robô. Ele é um escravo, e está me conduzindo. Eu fecho os olhos e ainda ouço o ritmo; sinto a chuva que começa a penetrar minhas vestes alaranjadas. A cidade tem cheiro de curry, óleo de carro, e – quando as gotas atingem o chão – terra e asfalto. Meu olfato percebe até o plástico escondido em todos os recantos dessa cidade. Percebo as pessoas em suas trajetórias e evidências minúsculas. Um florista tira a estande da rua protegendo as flores; ele tem enfisema e...

Língua da Noite

Ela pisa suave pra não despertar o dia. É a noite e sua coroa é brilhante embora ela passe desapercebida. Quando ela está no meio de nós, os corações vão ao alto porque cada homem e cada mulher é uma estrela agrilhoada à escuridão. Quando a noite cai, todos os altivos servirão.

Aquarela

Eu quero seu nome em vermelho pela disputa e pelo desafio. Eu quero estar com símbolos azuis pelo poder, pelo porte e pelo domínio. Quero o verde azulado da confusão, o lilás do mistério, o dourado da estirpe, e quero vinho pra beber. O roxo da realeza quero pra realizar a minha vontade ígnea com você

Noite

Veste o manto de invisibilidades no dia e solta suas sombras à noite. Sussurra inaudível a verdade, escondida e acolhe nossas certezas e horrores. Os Thelemitas te deram nome egípcio e os Hindus te deram braços e cores Eu te dou apenas um dos meus nomes para que você me traga os anteriores.